Lauro José da Silva de 83 anos, nascido no dia 12 de abril de 1926 descendente de Português cujo pai se chamava Silvério Manoel da Silva Alcantara e sua mãe Ana Tomasia de Jesus, é casado a 63 anos com Odete Adelaide da Silva de 82 anos, nascida no dia 23 de setembro de 1927 e juntos tiveram 9 filhos.
Nascido e criado em Canto Grande, seu Lauro estudou somente o 1° e o 2° ano do primário e teve que sair da escola porque sua mãe ficou viúva , então ele teve que trabalhar para ajudar no sustento da casa.
Desde pequeno trabalhava como pescador, ia para a Ilha do Macuco pescar e lá mesmo escalava o peixe e deixava secar ao sol, após isso voltava a Canto Grande para vender o peixe e, assim colaborava com o sustento de sua mãe e irmãos: “...fui pescador desde Rio Grande em 1947, até Macaí no Cabo São Tomé. (...)naquele tempo não existia barco que nem os de hoje.”
Ele contou, que já naufragou próxima a Ilha do Arvoredo e ficou só com a roupa do corpo. Já teve em Canto Grande um Engenho de farinha de Mandioca, fazia tipiti e balaios de cipó ...
Seu Lauro recebeu o apelido de capitão de Canto Grande pelo fato que quando ele tinha 19 anos, por ordem do ministro da guerra, onde foi dada a ordem á todos os municípios onde não havia quartel, todo mundo tinha que servir na praia de porrete ou pedaço de madeira na mão e por ele ser o menor a fazer a ronda na praia foi lhe dado este apelido.
Ele nos contou também uma história muito engraçada: quando ele ia buscar remédios na “Botica” do Seu Gualberto ( a farmácia de antigamente em Porto Belo) ele tinha que ir a pé: ...pois cavalo e negro não se criava por aqui.(...)onde tinha uma embarcação com uma pessoa negra a tintureira( um peixe grande) tirava o homem negro pela sombra”.
Seguiu contando que, alguns anos atrás, uma parteira trouxe para Canto Grande um negrinho de Tijucas, e o negrinho era muito querido; seu nome era Celi, aí um belo dia quando tinha 12 anos foi a Blumenau e nunca mais voltou!
Assim, o Capitão de Canto Grande, apesar de ter pouco estudo, trabalhou desde cedo e possuiu grande sabedoria e anseio em aprender mais. Exemplo disso, é que quando pequeno ele pegava papéis velhos e rasgados do chão para poder ler; ele guarda uma bíblia e dois dicionários e fala com orgulho “...eu tenho até um dicionário daquele pequeno e antigo, mais tenho”!
Agradecemos a esse mestre tão especial, que nos acolheu com muito carinho e compartilhou conosco a vossa sabedoria!
Entrevista realizada pelas alunas: Inaíta da Costa Vieira (15 anos), Juliana Maura de Melo (15 anos), Luana Goulart (15 anos) e Gabriela Almada Pereira (15) anos.
Emiep 01 - E.E..B Maria Rita Flor - Bombas - Bombinhas/SC